07/03/2010 - Trilhos de Almourol - 35 km

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07/03/2010 - Trilhos de Almourol - 35 km

Mensagem  CarlosFonseca em Qui Fev 04, 2010 10:01 am

Mais uma prova de Trail de Montanha em que já estou inscrito.

Esta na sua primeira edição, vai ter lugar na zona do Entroncamento, concretamente na povoação de Aldeia do Mato, junta à albufeira do Castelo de Bode. O percurso percorre zonas dos concelhos de Abrantes, Tomar, Constância, Vila Nova da Barquinha e do Entroncamento, deslocando-se ao longo do Rio Zêzere e Rio Tejo, atravessando todo o Parque Almourol.

Site da prova:http://ostrilhosdoalmourol.blogspot.com/





Há uma prova pequena de 19 km para os iniciados neste tipo de provas. Ninguém se aventura?
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A minha “Maratona” nos Trilhos do Almourol

Mensagem  CarlosFonseca em Seg Mar 08, 2010 7:32 pm

Já há muito tempo que não ia à “Terra dos Fenómenos” (Entroncamento), pois estive lá durante algum tempo a cumprir tropa no Centro de Instrução do B.S.M., há quase trinta anos atrás.
Assim, segui eu e a minha esposa no sábado à tarde em direcção a esta vila. Está irreconhecível. A não ser a zona da estação, não reconheço nada. Procuro o Pavilhão Desportivo, seguindo as indicações na vila, mas quando lá chego dizem-me que deveria procurar o complexo desportivo nas piscinas. Rapidamente chego lá e encontro o local onde a CLAC (Clube de Lazer, Aventura e Competição) faz a entrega dos dorsais.

Inteiro-me então da corrida, do seu percurso e das dificuldades que a organização teve de enfrentar para levantar uma prova deste género. Fico então a saber que devido às condições atmosféricas, e às grandes chuvadas, o percurso iria ter cerca de 38 km em vez dos 35 previstos, e que caso houvesse durante a noite alguma descarga de água da Barragem, o percurso teria novamente de ser revisto havendo a possibilidade de se aumentar mais uns 2 km.

Levantados os dorsais, juntamente com um saco com uns panfletos locais, uma T-Shirt azul clara e uma garrafa de vinagre, lá fomos jantar e preparar a dormida. Neste caso, em vez do habitual “solo duro”, iríamos poder dormir nas camaratas do Regimento de Manutenção.
Quando cheguei defronte do B.S.M. (Batalhão do Serviço de Material) e me dirijo ao militar da porta-d’armas verifico com surpresa que se trata duma mulher!! (No meu tempo não havia disto!!). Diz-me que o BSM já não existe e que agora se designa Regimento de Manutenção e indica-me o portão onde irei pernoitar. Exactamente no antigo C.I. (Centro de Instrução) onde estive no passado. Foi agradável reviver os momentos ali passados. Só que agora haveria camaratas para homens e outras para senhoras. Quando entrei na camarata dos homens, já lá estavam alguns atletas (Pedro Marques, Carlos Santos, o Tiago Martins e o Hugo Velez que tinha vindo de bicicleta desde a margem Sul). Mais tarde juntaram-se a nós mais atletas, entre eles, o Rui Carvalho, o Tigre e o Manel Fonseca.

Domingo: 8h30

O tempo estava muito bom para correr. Enquanto os caminheiros se dirigiam para a estação dos comboios donde seguiriam para a estação de Almourol, os atletas seriam transportados em autocarros para os locais de partida (Constância : Mini-Trilhos - 19 km, e Aldeia do Mato: Trilhos – 38 km).

Após um ligeiro aquecimento, um controlo inicial dos atletas e um pequeno “briefing” da prova transmitido pelo José Brito da CLAC, lá foi dada a partida exactamente á hora prevista. Após uma ligeira subida lá descemos vertiginosamente para depois se começar a “separar o trigo do joio”, ou seja, uma subida íngreme em piso muito técnico mostrando o quão empapados de água estavam os trilhos.

Tentei ainda seguir no grupo dos primeiros mas chegados lá acima a diferença entre mim e eles já era notória. Tendo o Tiago Martins como companheiro de prova, seguimos pelo cume da serra até umas casas em ruínas, entrando depois por umas hortas, subindo declives sempre em erva alta com um terreno enlameado. Como o percurso era desconhecido para todos, íamos tendo atenção em seguir as fitas sinalizadoras, embora nesta zona alguém pudesse atalhar bastante se conhecesse o trajecto.
Ao chegar perto da barragem, encontro o Brito e a Otília, que nos remetem para a estrada alcatroada, enquanto recolocam as fitas sinalizadoras, devido a um imprevisto causado por alguém que antes tinha aceite a passagem dos atletas e que agora a negou soltando os seus cães.

Nesta descida em alcatrão para o topo da barragem, descolo do Tiago e rapidamente alcanço dois atletas do Praticante (o Cirilo e outro colega). Contornada a barragem e logo na descida encontramos o primeiro abastecimento de líquidos e começamos a descer para o rio em degraus de cimento. A imagem da descarga de água da barragem é lindíssima envolvendo-nos num nevoeiro causado pelos borrifos de água. Mas a nossa atenção está pregada no trilho inclinado que pisamos. A cada passada o atleta do praticante escorrega na relva molhada e digo-lhe que deveria ter calçado uns sapatos de trail e não uns de estrada, pois estes têm menos aderência neste tipo de relevo.

Seguindo paralelamente ao rio, entramos num estradão em que também decorre uma prova de BTT em sentido contrário. Ambos os tipos de atleta respeitam-se e incentivam-se mutuamente. Neste estradão, saímos e entramos nele por diversas vezes sempre com a indicação dos elementos da organização, em trilhos técnicos de extrema dificuldade. Entre árvores, ramos, pequenos riachos, sempre com uma subida íngreme de volta ao estradão. É aqui que deparamos com uma ponte móvel sobre o Rio Nabão, especialmente montada pela Engenharia Militar para este evento com uma distância de quase sessenta metros.

Á saída da ponte viro à esquerda e corro numa zona de lodo em que não vejo qualquer fita. “Mau, mau! Já a perder-me?” Volto atrás e ouço um grito de alguém da organização que me grita “Aqui em cima!”. Afinal estava previsto ali estar alguém a indicar, mas tinha-se ausentado momentaneamente. A subida é bastante íngreme indo dar à estrada alcatroada. Durante a subida não vejo qualquer fita, e interrogo-me senão estarei perdido novamente, mas afinal antes de chegar à estrada, lá estava uma fita indicadora e um elemento em BTT a indicar a travessia na estrada. De novo no trilho, e novamente na primeira encruzilhada há fitas para os dois lados (!?). Perante algumas hesitações, sou alcançado pelo Aníbal Godinho e pelo Cirilo. Como conhecedor do terreno, o Aníbal lidera e leva-nos pela encosta acima até cruzarmos de novo outra estrada. O trilho agora apresenta-se totalmente enlameado cheio de poças de água, sem qualquer fuga possível. Um atleta espanhol alcança-nos num ritmo muito rápido. Rio-me perante uma queda do Aníbal em pleno charco (hehehe). Faz parte do Trail Laughing .

Numa descida para uma vila, atravessamos um eucaliptal quase sem trilho marcado. Depois duma zona de hortas apanho o Carlos Couto que se vem a queixar de cãibras. Entramos de novo no mato em que descemos até uma ponte e depressa atingimos o segundo abastecimento. Até ao seguinte, sigo com o Aníbal num cavaqueio agradável até Tancos, em que passamos pelo túnel sob a linha do comboio (atenção aos mais altos!!) virando depois para o abastecimento. Este estava repleto de bananas, laranjas, marmelada, isotónico, água e coca-cola. Estávamos no km 29 e devia faltar cerca de 10 km. O Aníbal mal comeu e desapareceu logo. Atravesso a linha de caminhos-de-ferro e subo ao moinho. Aqui apanho o Primo da CLAC e seguimos juntos um par de km mas depressa deixo o Primo para trás.

Tendo o Castelo de Almourol e a linha ferroviária à esquerda, sigo por um trilho muito enlameado que serpenteia a serra. Uma guarida militar feita com sacos de terra é merecedora duma foto, mas não tenho tempo a perder. A certa altura perto das colmeias, surge uns sobe-e-desce num piso de brita até que chego a uma descida bastante difícil e apenas vejo uma fita cor-de-laranja. Noto que me perdi de novo. Quando me preparo para voltar atrás, vislumbro de novo umas fitas junto à passagem de nível, e penso para comigo: “Querem mesmo que faça esta descida radical!”. E lá vou eu… (só no final é que soube que num dos topos do segundo sobe-e-desce, junto a uma casinha branca, eu deveria voltar à direita, só que eu a subir vinha com os olhos pregados ao chão!).

Afinal as fitas eram as sinalizadoras do percurso dos Caminheiros! Esta descida leva-me a uma estrada que vai desembocar no parque de V. N. da Barquinha. Sigo pelo piso vermelho, atravesso todo o parque num ritmo muito rápido e apercebo-me que algo está mal! No Não vejo o Aníbal… será que se perdeu? Atravesso a vila, subo uns degraus e encontro outros com um corrimão verde com uma fita sinalizadora. Sigo as fitas, atravesso de novo a linha férrea e começo uma enorme subida entre eucaliptos. Quase no topo da subida, vejo um atleta que desce e digo-lhe que vai enganado. Logo depois, ouço alguém a gritar que estávamos enganados. De regresso ao verdadeiro trilho, passa-me o João Faustino, vindo atrás dele o Primo, o Cirilo e o Espanhol. Tinha perdido o último abastecimento, alguns lugares e percorrido cerca de 2,5 km a mais.

Aborrecido comigo mesmo, faço a descida num ritmo muito rápido afim de tentar ocupar o meu devido lugar na classificação, mas como o piso estava tão enlameado acabo por escorregar e dou uma tremenda queda na lama (Ah, estavas-te a rir do outro, heim!!?? Laughing ). Levanto-me de imediato, a tempo de ouvir um Bombeiro a perguntar-me se estava bem, e tento recuperar os lugares perdidos.
Perto da A23, a placa indica 4 km para o Entroncamento. Alcanço o Carlos Couto que se admira de aparecer agora. Sigo com ele um pouco, ele vai gerindo as dores nos músculos e como é a descer largo-o e imprimo um bom ritmo. Sinto-me bem e sei que a meta está próxima!
Chego à ponte, vejo o Zé Brito que me diz que tenho que atravessar o rio. Porreiro, pá! Vou lavar a lama dos pés. Com a água pelos joelhos atravesso o rio e entro no Parque do Bonito.

Como falhei o último abastecimento, vejo um bebedouro com água e vou-me hidratar para o km final. Um mal nunca vem só… com a pressa o fio de ouro que tenho ao pescoço prende-se no manipulo e parte-se! Raios… apanho o fio e falta-me uns símbolos e o crucifixo. Com isto, passam-me um atleta de laranja e o Espanhol. Retomo o rumo e consigo alcançar este último, e entramos de novo num trilho a subir enlameado atrás do atleta de laranja. Quando descemos, vejo a meta e faço os últimos 200 metros ao despique com o atleta que me precede, mas ele ainda tinha forças para me bater nos metros finais!

Após concluir a prova, volto de novo ao bebedouro para ir resgatar o que sobra do fio (e nem que tenha de arrancar o bebedouro, mas vai ter de me devolver o que lá ficou). Com a ajuda do Zé Brito, acabo por recuperar o que pensava perdido. Ainda bem!
Mas nem todos os males ficaram por aqui. Após ver as classificações finais depois do almoço… verifiquei que o que estava á disputa nos metros finais era o 3º lugar do escalão!! Crying or Very sad Bolas… bolas… fica para a próxima!!

No meu cronómetro marca 3h56’28” em cerca de 42.180 mts percorridos. Uma maratona!!
Fui 23º da geral em 174 atletas chegados. Como troféu de participação um ladrilho com o símbolo da prova.

Resumindo:

Uma boa prova elaborada num percurso muito diverso, com umas paisagens lindíssimas, mas bastante técnico no verdadeiro espírito de Trail e dura q.b.. Bastante exigente a nível muscular. Mas merece a pena repeti-la!

Parabéns à CLAC pela simpatia com que nos receberam, em especial ao Brito e à Otília! A prova estava muito bem organizada com bastantes elementos, tanto nos abastecimentos como ao longo do percurso.
Se me perdi... a culpa é apenas minha.

Mais uma vez se mostrou que temos boas organizações e bons percursos no nosso país, dignos para preencher um bom calendário de Trail.


Foto da minha chegada à meta, disputando o 3º lugar no escalão!
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